terça-feira, 19 de abril de 2011

"Eu uso o hijab porque sou livre" - A polêmica do véu na França


Quando eu vi pela primeira vez a notícia de que a França proibiria as mulheres de usarem a burca/véu, inicialmente, eu conclui que aquilo era um absurdo, pois se as pessoas nesse país são livres, logo elas poderiam se vestir como quisessem. Mas depois refletindo uma pouco mais sobre o assunto eu mudei de ideia e passei a ser à favor de tal restrição.

Lendo o caderno Aliás do Estadão de domingo passado, me deparei com o discurso de uma mulçumana que vende o tal HIJAB. Ela dizia: "Eu uso o hijab porque sou livre". Ela diz isso porque mora no Brasil, mais especificamente em Juiz de Fora-MG. Se ela morasse no Irã ela não teria a opção de escolher, seria obrigada a usar e pronto. Talvez não poderia sequer embarcar em um avião devido o uso incorreto do véu (será que existe um manual de como amarrar?) como informa essa outra matéria aqui.

Outra coisa, se eu, brasileirinha, descrente de qualquer religião, fosse para o Irã, seria obrigada por lei a usar o tal véu... e sabe o que eu faria? Usaria! Como diz o ditado: EM ROMA, COMO OS ROMANOS. Acredito que isso é uma questão cultural e que deve ser respeitada. Então, se a cultura da mulher na França não inclui o véu, porque usar o véu? Os franceses simplesmente criaram uma forma de defender sua identidade. Pelo menos eu penso assim...

Em um outro artigo de 2004, fala-se que a população muçulmana na França ultrapassava a faixa de 6 milhões em 2001 (agora deve ser muito mais). Agora imagina, você, em poucos anos, sem sair do seu país se depara com uma outra cultura... Vamos supor que você encontraria um monte de índios com suas tangas e cocares... Seria minimamente estranho. Eu me sentiria um peixe fora d´água e ia querer voltar para o local de onde eu não sai (estranho, não?).

Mas o mais engraçado é que nesse último artigo que eu me refiro dizia que a constituição francesa prega que “nenhuma distinção de raça, de origem ou de religião deve ser realizada entre os cidadãos franceses”... Acho que eles mudaram de ideia.

E vocês? O que pensam sobre isso?

2 comentários:

Sami Douek disse...

Oi Lenita,
O assunto é muito interessante e pode ser visto por várias vertentes e ângulos. Se você topar eu gostaria de registrar o meu comentário sob o olhar do emigrante e suas culturas, e como isto é entendido ao deixar a terra natal para se integrar numa sociedade e contextos novos. Este posicionamento da França como receptor do emigrante não é incorreto. Posso desenvolver em público?

Lenita disse...

Sami fique à vontade para expor o seu ponto de vista, mesmo que ele seja contrário ao meu. Tenho certeza que será enriquecedor... Estou curiosa para ler!