quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Solidão e Sua Porta

Quando mais nada resistir que valha 

a pena de viver e a dor de amar 
e quando nada mais interessar 
(nem o torpor do sono que se espalha), 

quando, pelo desuso da navalha 
a barba livremente caminhar 
e até Deus em silêncio se afastar 
deixando-te sozinho na batalha 

a arquitectar na sombra a despedida 
do mundo que te foi contraditório, 
lembra-te que afinal te resta a vida 

com tudo que é insolvente e provisório 
e de que ainda tens uma saída: 
entrar no acaso e amar o transitório.

Poema de Carlos Pena Filho escrito ao artista Francisco Brennand