Ontem à noite eu fui jantar em um restaurante muito chique, badalado, com boa comida e bebida, afinal sou phyna (que mentira!). O que me chamou a atenção inicialmente, logo que cheguei, foi que o pessoal era mais velho (nada contra!), mas não tinha pessoas novas,
jovenzinhas assim como eu.
Dai o metri, que era super simpático e atencioso, nos levou à mesa, nos sentamos e recebemos o suposto cardápio... Digo suposto porque quando eu peguei o cardápio nas mãos logo percebi que se tratava de um iPad... Mas um iPad? Pensei: caramba! conseguiram complicar! Mas gente, poxa vida! Eu só queria escolher meu prato! E dai o bagulho deu erro, não mudava as páginas... Não gostei! Sem contar que o povo fica todo meio hipnotizado querendo ver se dá para acessar e-mail / redes sociais, as crianças querem ver se tem jogo... e por ai vai.
Fiquei imaginando como é que as três velhinhas que estavam sentadas ao meu lado, que tinham aqueles cabelos do tipo capacete, vestindo roupa tipo safári de linho mais antigas que a minha avó e com aqueles dedos grossos pela artrose tinham escolhido o prato...
Bom, dai o generoso garçom me salvou trazendo o bom e velho cardápio de papel e tudo se resolveu.
Não quero negar a tecnologia, acho ela fantástica, mas não pude deixar de pensar como ela tem invadido nossa vida de forma pouco educada. Já basta os mini-games das crianças e aquelas televisões gigantescas que certos restaurantes adoram ostentar. Tudo isso nos tira do convívio familiar e nem nos deixa degustar de fato o prato escolhido porque ficamos alienados vendo o último episódio da novela ou aquela partida de futebol que mudará as nossas vidas para sempre.
Bom, mas eu me livrei do iPad e lá não tinha TV ou game... Pude me divertir e me lambuzar em uma deliciosa massa fresca recheada de queijo brie e damasco acompanhada de um molho a base de prosecco e funghi. E para terminar: profiteroles! Lambi os beiços!