domingo, 23 de dezembro de 2012

Que 2013 seja o recomeço da viagem!

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra fez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite (...). É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

José Saramago (1922-2010)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Conversa de salão de beleza


Você viu o título da última postagem e pensou: lá vem ela com mais uma historinha fútil de salão de beleza! Você se enganou. Aliás, eu também me enganei e descobri, infelizmente, que o pior machismo é aquele que vem das próprias mulheres...
Essa conclusão aconteceu depois de duas conversas.
A primeira foi na semana passada quando uma conhecida me contava sobre sua viagem de volta para casa, mais especificamente sobre um voo de Curitiba para São Paulo. O drama aconteceu ao embarcar na aeronave quando ela notou que quem iria pilotar era uma mulher. Ela disse que ficou extremamente desesperada e que foi uma das piores viagens da vida dela... "Imagina uma mulher pilotando avião!". E para completar o anencéfalo discurso, também disse que não gosta de ser atendida por médicas! SIM! Mulheres que têm como profissão a medicina. "Nem pensar em ser atendida por médicas!".
Agora eu me pergunto: como pode? Em pleno século XXI, pós Simone de Beauvoir, pós Flora Tristán, como eu ainda ouço uma coisa dessas? Quem vai avisar essa infeliz que ela está se diminuindo, que ela está dizendo que é incapaz? Quem? Quem? Me enche de tristeza esse tipo de comentário, me faz desacreditar, me faz perder a esperança...
A segunda, e não menos pior conversa, aconteceu graças a criativa pauta de assuntos das manicures ao falar sobre o tal ex-goleiro Bruno, que era mulherengo e que só escolhia mulher feia. Eu intervi e disse que a tal Elisa era uma mulher bonita. No entanto, a senhora sentada ao meu lado, que também estava fazendo as unhas, disse: "Mas ela é prosti". Mas e daí minha cara anencéfala? Ela ainda é uma mulher bonita, porra! E ela continuou: "Bonita mesmo é a mãe do filho do Neymar! É linda demais! E essa sim ajeitou a vida pra sempre!". Eu lamentei e disse que achava que a garota tinha pisado na bola, afinal é bastante jovem e a gravidez certamente a privaria de muita coisa. Mesmo assim ela não concordou e disse que era melhor engravidar do jogador do que de um ladrão. Mais uma vez eu discordei, disse que não era bom engravidar de ninguém aos 16 ou 17 anos e que uma mulher não deve usar a maternidade ou o casamento como plataforma de lançamento para a vida, que nós somos capazes e temos recursos, mesmo que difíceis e escassos; mas temos, para alcançar a nossa verdadeira felicidade, sem depender de terceiros. Ainda citei a ilustre Beauvoir (as manicuras arregalaram os olhos!) e todos ficaram me olhando com cara de tacho. Terminamos a conversa e infelizmente tive a nítida impressão que a tal senhora ficaria muito feliz caso a filha dela engravidasse do Neymar.
Tudo isso me lembrou de um pequeno trecho do livro “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir que diz assim: "A mulher aprende que nenhuma conquista lhe é permitida, que deve renegar-se, que seu futuro depende do bel prazer dos homens".
Até quando as mulheres aprenderão isso? Até quando as pessoas vão pensar assim? É muito triste pensar que essas mulheres são mães e que elas continuam passando essas crenças aos seus filhos e filhas...

PS-Gostaria de agradecer ao Rafael C. das Neves pela correção do texto. Valew!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Serena - Ian McEwan


Eis que terminei de ler mais um livro! Dessa vez foi Serena, um romance contado em primeira pessoa por uma moça magra, alta, loira e linda que dá nome ao livro. Além desses adjetivos todos, ela ainda é inteligente, estudou matemática por pressão familiar, mas era apaixonada mesmo por literatura.

Depois que Serena acaba a faculdade, ela fica sem saber o que fazer da vida e acaba se envolvendo com um professor bem mais velho que ela, que a ensina a ler criticamente, a perceber as questões políticas e sociais que estao bem embaixo do nariz dela, de uma Inglaterra quase falida da década de 70. E aí começa a história propriamente dita, onde a mocinha acaba se candidatando a uma vaga do serviço secreto inglês, o MI5.

Ela também conta das desventuras da vida de assalariada, tendo que morar numa república, lavar o cabelo na pia (parece engraçado, mas ela repete isso o tempo inteiro e chega a dar pena! Pobre Serena!). Entremeado a isso, o autor lança o tempo inteiro fatos históricos e sociais da Inglaterra e do mundo, além disso, cita um enxurrada de nomes de poetas e escritores (acho que todos são reais!) e menciona ruas e lugares de Londres.

Acho que a leitura fica mais gostosa na segunda metade, quando a história ganha um pouco mais de ação e a torcida por Serena só faz aumentar.

Acho que esse livro pode ser bem interessante para quem escreve, pois além da discussão literária que acontece na história propriamente dita, o desfecho é surpreendente. Eu imaginava que por ser tratar de um escritor moderno (eu acho!), era esperado um final trágico, mas não, é um final feliz às avessas, mas ainda sim feliz. Depois que você descobre o final, você para pensar em tudo que foi escrito e como foi escrito... Provavelmente o autor já tinha a ideia todinha na cabeça antes mesmo de começar a escrever a trama.

PS- Para variar, adorei a foto da capa, mas devo confessar que fico um pouco frustrada quando vou procurar o crédito e me deparo com aqueles nomes de bancos de imagem... Ai! Isso quebra o encanto! Será preconceito da minha parte?


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

É para lá que eu vou!

"Na certa mereceria o céu dos oblíquos onde só entra quem é torto"

Clarice Lispector em Água Viva.

O paraíso na outra esquina - Mario Vargas Llosa

Semana passada eu terminei de ler "O paraíso na outra esquina" do Vargas Llosa. Gostei muito! Gostei muito de tudo que aprendi, pois antes de ser um romance, é a biografia de Flora Tristàn e de Paul Gauguin.

Flora foi uma das pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores e, principalmente, das mulheres nos meados do século XIX. Nascida na França do resultado de uma união não "legítima" entre uma francesa e um peruano de família abastada. Também teve um casamento infeliz e três filhos.

Fiquei encantada pela luta de Flora! O tempo todo me vinha a mente como ela deve ter sofrido, como foi corajosa por assumir seus ideais numa época em que mulher era tratada com serva e não tinha opinião, direito ou liberdade.

Como eu não conhecia essa figura pública e sua história, posso dizer que ela surgiu na minha vida em um momento muito oportuno e me fez refletir muito sobre a mulher de hoje: o que somos e o que ainda queremos ser! Para mim ficou um gostinho de luta, de desejo pelo justo, de liberdade! E o mais engraçado é que Llosa escreve de uma forma tão gostosa, rica de detalhes, que parece que eu posso viver a cena junto. Uma loucura, como se Flora tivesse se tornado minha amiga.

Intercalado a essa história, aparece a de Paul Gauguin que era neto de Flora, também nascido na França e que descobre sua paixão pelas artes plásticas depois de adulto e isso provoca uma reviravolta na sua vida, na forma como se relaciona com as pessoas, na maneira como enxerga o mundo, a cultura ocidental...

Enfim, parece que depois que a arte entra na vida dele, ele vive um mundo de emoções. Isso tudo acaba sendo contagiante, estimulante... Dá vontade de viver as aventuras e até as agruras (por que não?) com Paul. A forma como são descritas as cenas que o inspiraram na criação de seus quadros são extasiantes e envolventes!

"À sua frente, a um ou dois metros, o jovem marchava sem vacilar no rumo, mexendo os braços no mesmo compasso. A cada passo, os músculos de seus ombros, de suas costas, das suas pernas se insinuavam e se moviam, com brilhos de suor, sugerindo-lhe a ideia de um guerreiro, de um caçador de tempos idos, penetrando na selva espessa em busca do inimigo cuja cabeça cortaria e levaria no ombro, de volta para casa, a fim de oferecê-la ao seu deus sangrento. O sangue de Koke fervia, tinha os testículos e o falo em ebulição, afogava-se de desejo". Trecho que relata a ida de Jotefa e Koke (apelido de Paul) até à mata que inspirou o artista a retratar Pape moe (águas misteriosas em taitiano).

Pape moe
A única contradição dessas vidas que se cruzam, na minha opinião, é que Flora sempre lutou pela igualdade entre homens e mulheres, especialmente dentro das relações matrimoniais, enquanto Paul procurava mesmo uma serva, afinal suas esposas, em particular as do Taiti, tinham que atender suas vontades, eram submetidas a cuidar das feridas de suas pernas causadas pela doença impronunciável (a sífilis) entre outras coisas...

Já diria a minha avó: santo de casa não faz milagre!




sábado, 13 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ordenação e Vertigem - Gil Grossi




Estou apaixonada por essas imagens!

Segundo sexo - Simone de Beauvoir

"Na mulher há, no ínício, um conflito entre sua existência autônoma e seu "ser-outro"; ensinam-lhe que para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto; ela deve portanto renunciar a sua autonomia. Tratam-na como uma boneca viva e recusam-lhe a liberdade; fecha-se assim um círculo vicioso, pois quando menos exercer sua liberdade para compreender, aprender e a descobrir o mundo que a cerca, menos ela encontrará nele recursos, menos ousará afirmar-se como sujeito"

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Corcunda de Notre Dame - Vitor Hugo

Ufa! Consegui terminar de ler o corcunda! Demorei um monte... primeiro porque não achei ele de todo fácil, as palavras são antigas (ex.: preboste, arcediago...), frases compridas (com uma página de comprimento!), descrições eternas de Paris... E nos últimos tempos não consegui me dedicar a literatura da forma que eu queria. Resultado: quase 6 meses para ler o corcunda! Mas tudo bem! O importante é que eu acabei e gostei.

Adoro Paris! Então, rever todos os detalhes da cidade de uma época antiga fez a minha mente viajar. Queria estar lá para ver tudo de pertinho e dar um pelo chute na canela do padre, um outro no bumbum do Phebo e um abraço no Quasímodo. Além de dar um "acorda menina" na Esmeralda que não percebe que foi enganada. Bom, o resto eu não posso contar.

Também achei interessante como o livro foi escrito. Os acontecimentos aparecem isolados inicialmente, mas depois as coisas vão se unindo, fazendo sentido. É incrível! Vale à pena ter um pouco de paciência e ler. Eu recomendo!


sábado, 28 de julho de 2012

Quando não durmo, sonho - Wifredo Lam


Em 2009 eu visitei a exposição "Latitudes: Mestres Latino-Americanos na coleção FEMSA" no Instituto Tomie Ohtake em SP e logo de cara eu vi essa tela do Wifredo Lam. Gostei dela na hora! Gostei do título da obra, gostei da obra, das cores... E é incrível! Ela sempre me vem à memória. Então aqui vai um post para eu poder continuar pensando nela mais um pouco. (Veja aqui o folder da exposição).

Imagem daqui.

Hélio Oiticica - Metaesquema

Para dar nó "nas vista"...




segunda-feira, 25 de junho de 2012

A "monotonia" do diário de Anne Frank



Hoje eu estava andando por uma livraria do centro e observei que uma garota ficou bem entusiasmada quando encontrou o livro "Diário de Anne Frank". Ela comentou com o namorado que uma amiga tinha lido e gostado muito e perguntou se ele já havia lido. Ele respondeu que sim e que realmente se tratava de um diário, que era meio parado (!!!!) e que às vezes passavam vários dias... 2 meses... e nada acontecia! Que a moça, a Anne, escrevia sobre a mulher que a escondia no porão e "coisas assim" (palavras do rapaz) e que só depois de um tempo é que acontece alguma coisa, quando Anne, escondida, vê a irmã ser estuprada...
UFA! O que será que esses rapazes de hoje esperam da vida e dos livros?
Fiquei chocada!

Foto: daqui

sábado, 2 de junho de 2012

100 lugares para dançar em Santos

"100 lugares para dançar é uma cartografia dançada da cidade de Santos composta por 100 mini-vídeos danças disponíveis nesse sítio na internet e em instalações que transformam a arquitetura e espaços do prédio do SESC em palcos inusitados para a cidade."

Eu não sei o que significa uma cartografia dançada, mas eu adorei esse projeto. Os figurinos, os movimentos, as locações, os videos, em especial a fotografia...

É uma delícia ver cada um dos vídeos. Eu diria que são inspiradores! Veja todoooos eles aqui.


Fotos: daqui e daqui

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Uma moça e uma arma

Segundo o cineasta Jean-Luc-Godard tudo que você precisa para fazer um filme é uma garota e uma arma. Baseado nessa ideia, João Paulo Miranda fez esse curta metragem que eu adoro e não canso de ver (não sei porque eu nunca tinha postado isso aqui ainda...). Ah! E não posso deixar de dizer que esse filme foi feito com um celular e foi vencedor do "Mobile Phone Movie Competition" promovido pelo "The Screening Room" da CNN Intenational. Legal, não é mesmo? Outra coisa importante: o João Paulo é da terrinha!


Escola de Belas Artes - Paris


Foto: Lenita Tonon

terça-feira, 10 de abril de 2012

A mentira das superfícies arrumadas...

"A mentira das superfícies arrumadas escondendo lá no fundo a desordem, o avesso dessa ordem".

Isso se parece muito comigo!

Trecho do conto "Uma branca sombra pálida" de Lygia Fagundes Telles.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quero esse livre tão simples de ver

"Tenho tua palma na alma da mão
Tenho tua mão no meu corpo, no chão
Tenho o teu corpo e a tua maldição
Na mão e na calma da intuição
Quero esse simples teu livre de ser
Quero esse livre tão simples de ver
Quero te ver em ter livre e tecer
Teu antes, teu hoje e teu simples viver"


quinta-feira, 22 de março de 2012

Depende da hora e da cor

Ninguém quer saber
O gosto do sangue
Mas o vermelho
Ainda é a cor que incita a fome
Depende da hora e da cor
Depende da hora,
Da hora, da cor e do cheiro
Cada cor tem o seu cheiro
Cada hora lança sua dor
E dessa insustentável leveza de ser
Eu gosto mesmo é de vida real
Elevei
Minha alma pra passear
Elevei
Minha alma pra passear
Não me distancio muito de mim
E quando saio não vou longe
fico sempre por perto
Depende da hora e da cor
Depende da hora,
Da hora, da cor e do cheiro
Cada cor tem o seu cheiro
Cada hora lança sua dor
E dessa insustentável leveza de ser
Eu gosto mesmo é de vida real

Letra da música Bossa Nostra - Nação Zumbi

terça-feira, 20 de março de 2012

O rio que tem medo do oceano

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas,o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.

O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem !! Avance firme e torne-se Oceano!!!"

(Osho)

domingo, 11 de março de 2012

Por São Paulo - O cotidiano e a tecnologia

Ontem à noite eu fui jantar em um restaurante muito chique, badalado, com boa comida e bebida, afinal sou phyna (que mentira!). O que me chamou a atenção inicialmente, logo que cheguei, foi que o pessoal era mais velho (nada contra!), mas não tinha pessoas novas, jovenzinhas assim como eu.

Dai o metri, que era super simpático e atencioso, nos levou à mesa, nos sentamos e recebemos o suposto cardápio... Digo suposto porque quando eu peguei o cardápio nas mãos logo percebi que se tratava de um iPad... Mas um iPad? Pensei: caramba! conseguiram complicar! Mas gente, poxa vida! Eu só queria escolher meu prato! E dai o bagulho deu erro, não mudava as páginas... Não gostei! Sem contar que o povo fica todo meio hipnotizado querendo ver se dá para acessar e-mail / redes sociais, as crianças querem ver se tem jogo... e por ai vai.

Fiquei imaginando como é que as três velhinhas que estavam sentadas ao meu lado, que tinham aqueles cabelos do tipo capacete, vestindo roupa tipo safári de linho mais antigas que a minha avó e com aqueles dedos grossos pela artrose tinham escolhido o prato...

Bom, dai o generoso garçom me salvou trazendo o bom e velho cardápio de papel e tudo se resolveu.

Não quero negar a tecnologia, acho ela fantástica, mas não pude deixar de pensar como ela tem invadido nossa vida de forma pouco educada. Já basta os mini-games das crianças e aquelas televisões gigantescas que certos restaurantes adoram ostentar. Tudo isso nos tira do convívio familiar e nem nos deixa degustar de fato o prato escolhido porque ficamos alienados vendo o último episódio da novela ou aquela partida de futebol que mudará as nossas vidas para sempre.

Bom, mas eu me livrei do iPad e lá não tinha TV ou game... Pude me divertir e me lambuzar em uma deliciosa massa fresca recheada de queijo brie e damasco acompanhada de um molho a base de prosecco e funghi. E para terminar: profiteroles! Lambi os beiços!

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de março, abril, maio...

No dia 8 de março de 1857 um grupo de operárias de uma fábrica de tecido localizada em Nova York estava fazendo um grande movimento em protesto às condições de trabalho, pois elas tinham uma carga horária de 16 horas/dia e recebiam 1/3 do salário de um homem. Então, elas resolveram lutar por um tratamento digno no ambiente de trabalho e pela equiparação dos salários. Infelizmente, a manifestação foi reprimida de forma bruta e covarde. Trancaram as mulheres dentro da fábrica e atearam fogo. Cerca de 130 mulheres morreram carbonizadas. E em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, decidiu-se que a data seria uma homenagem às mulheres.

Essa história me entristece profundamente. No entanto, selvagerias como essa ainda acontecem e eu prefiro nem citá-las. Agressões sem dano físico é ainda mais comum... Uma enfermeira, por exemplo, sofre assédio moral constantemente (isso sem contar os outros assédios...), é mal remunerada e pouco valorizada. Isso se deve provavelmente por ser uma profissão tipicamente feminina. Falo isso em causa própria! Colegas de profissão homens raramente tinham problemas com assédio moral. E isso é só um exemplo e é um exemplo bobo mas que me tirava o sono e me fazia voltar para casa chorando. Sabemos que coisas graves acontecem diariamente com as mulheres que são trabalhadoras, mães, esposas...E eu me pergunto: até quando esse preconceito vai existir? Quantas atrocidades e mais quantos dias em homenagem à mulher serão necessários para essas barbaridades deixarem de existir?

"O homem devia evoluir e voltar a ser macaco" já diria meu amigo Totonho.



Imagem daqui.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O cara estava muito apaixonado

"Recuso os sonhos que te ignoram e os desejos que não possas despertar. Não quero fazer um gesto que não te louve, nem cuidar de uma flor que não te enfeite; não quero saudar as aves que ignorem o caminho da tua janela, nem beber em ribeiros que não tenham acolhido o teu reflexo. Não quero visitar países que os teus sonhos não tenham percorrido como taumaturgos vindos de fora, nem habitar cabanas que não tenham abrigado o teu repouso. Nada quero saber de quem te precedeu em meus dias, nem dos seres que aí permanecem."

Trecho do livro "Correspondência Amorosa" de Rainer Maria Rilke e Lou Andreas-Salomé.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Água Viva - Clarice Lispector



"Não quero perguntar por que, pode-se perguntar sempre por que e sempre continuar sem resposta:
será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta?
Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim."

PS-Adorei o desenho e as cores da capa.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Fotografia premiada - Pietá Árabe


O espanhol Samuel Aranda ganhou o World Press Photo 2011. Um dos mais importantes para o fotojornalismo.
Ele fotografou no dia 15 de outubro, dentro de uma mesquita no Iémen, uma mulher vestida com uma burca preta e luvas de procedimento segurando nos braços um ente querido. O local estava sendo usado como hospital de campanha para atender as vítimas de um confronto entre civis e o governo.
Quando vejo uma imagem como essa eu fico muito desconfortável, porque é muito sofrimento! A imagem é linda, mas é triste demais. Essa mulher, primeiro que ela está com a burca e isso já me incomoda, depois ela está com essas luvas sujas, segurando o rapaz pelo pescoço, como se ele estivesse escorregando, desfalecendo, desnudo, desprotegido... Que mundo cão!
Respeito muito quem consegue fotografar essas situações miseráveis, ainda mais com tanta técnica. Eu jamais conseguiria fazer isso sem me envolver. Provavelmente perderia a cena porque iria lá oferecer ajuda.
Foto daqui.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cem pregos de Ermanno Olmi

 "Um estranho ato de vandalismo assombra as autoridades italianas: alguém pregou cem livros ao chão da biblioteca da Universidade de Bolonha. Quando um professor de filosofia desaparece misteriosamente, tudo indica ser ele o culpado. Em seu refúgio numa casa em ruínas às margens do rio Pó, o ex-professor é objeto da curiosidade dos habitantes e logo passa a ver visto como um profeta divino" (resumo daqui).

Há quem fale mal do filme, mas eu gostei!
Especialmente pelo fato do personagem questionar o conteúdo dos livros.
Há também uns assuntos acerca da religiosidade que eu dispenso.
Prefiro os questionamentos e frases, mesmo que por um segundo, pareçam retirados de um livro de auto ajuda...
Acho sensacional esta fotografia!

“Todos os livros do mundo não valem um café com um amigo". Será?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Doce Guia - 3 na massa

Adoro esse som!


Caso acolha meu achego

Que antes diga derradeiro adeus
Sobre a encosta do meu peito vago
A delicada embriaguez do corpo teu

No meu corpo só
No teu corpo o meu
O meu corpo só
No teu

Arrepiou por toque só
Derramou molhado bom
Do meu olho então afasta
Em leve fuga, doce guia
Mas vai
E antes de ir embora leva
Leva bocado de mim
Leva bocado de mim

Caso acolha meu achego
Que antes diga derradeiro adeus
Sobre a encosta do meu peito vago
A delicada embriaguez do corpo teu
No meu corpo só
No teu corpo no meu
No meu corpo só
No teu corpo o meu
No meu corpo só
No teu corpo o meu
No meu corpo só

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cartas a um jovem poeta



"O senhor é tão jovem, tem diante de si todo começo, e eu gostaria de lhe pedir da melhor maneira
que posso, meu caro, para ter paciência em relação a tudo que não está resolvido em seu coração.
Peço-lhe que tente ter amor pelas próprias perguntas, como quartos fechados e como livros
escritos em uma língua estrangeira. Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas,
porque não poderia vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Viva agora as perguntas. Talvez passe,
gradativamente, em um belo dia, sem perceber, a viver as respostas, Talvez o senhor já traga
consigo a possibilidade de construir e formar, como um modo de viver especialmente afortunado
e puro; eduque-se para isso. Mas aceite com grande confiança o que vier, e se vier apenas da sua
vontade, se for proveniente de qualquer necessidade de seu íntimo, aceite-o e não o odeie.
A carne é um fardo, verdade. Mas é difícil a nossa incumbência, quase tudo que é sério é difícil, e tudo é sério."

  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Delírio ou vida na floresta - meu desejo para 2012


Eu fui à floresta porque desejava viver de verdade, para encontrar
somente os fatos essenciais da vida, fui ver se não poderia aprender
aquilo que eu tinha que ensinar, e não, quando viesse a morrer,
descobrir que eu não tinha vivido.
Eu não desejava viver aquilo que não era vida, viver é tão raro;
também não desejava praticar resignação, a não ser que fosse
absolutamente necessário.
Eu queria viver profundamente, sugando toda a essência da vida, viver
com a resistência dos Espartanos a experiência de expulsar tudo o que
não era vida, cortando e raspando tudo o que fosse necessário, levando
a vida a um termo, reduzindo-a aos seus significados mais elementares,
e, se encontrado algum significado, então tomar o genuíno e integral
significado disto e publicá-lo para o mundo.
E se tiver sido sublime, ter tido tal experiência, levar tudo o que
senti verdadeiramente em consideração na minha próxima jornada.


(Henry David Thoreau, 1817 - 1862)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Alexander Calder

Desde criança eu gosto de móbile, mas depois que eu visitei a Fundação Joan Miró em Barcelona eu fiquei apaixonada... até me aventurei tentando fazer um aqui em casa. E hoje, por esses labirintos da vida, encontrei essas imagens com as obras de Alexander Calder.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Travessuras da menina má - Mario Vargas Llosa

Esse livro me deixou... intrigada. Bem, talvez eu não saiba exatamente qual adjetivo usar, mas esse livro me fez pensar em muuuitas coisas.

Primeiro, as descrições sobre Paris e a Europa são demais. Me deu vontade de pular para dentro do livro e viajar com o Ricardito;

Segundo, os detalhes sobre os fatos históricos e as vivências do personagem são ricos. Mais uma vez quis pular para dentro do livro;

Terceiro, a menina má é uma camaleoa. Não consigo ter uma imagem formada dela, me lembro apenas de seus olhos cor de mel escuro e que a sua beleza era exótica. Por conta disso, olhei quinhentas vezes a fotografia da capa em busca de pistas (como se isso fosse possível) e penso que o cara que fez a capa fez muito bem em esconder o rosto da moça da fotografia porque de fato ninguém sabe quem é essa misteriosa personagem.

Quarto, será que essa história poderia ser real? Tantos encontros e desencontros, tantos altos e baixos, tanto amor por tanto tempo? Será?



Foto da capa de Ferdinando Scianna. Muito sensual, como a menina má, assim penso eu.