quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"O urso e o gato-montês"

Agora também leio livros infantis.
Alguns me surpreendem negativamente, outros não fazem diferença e outros me encantam.

Meu filho empresta um livro diferente a cada semana através da ciranda de livros organizada pela escola. Funciona assim: na primeira reunião de pais do ano, a professora libera uma lista com vários títulos e cada mãe (sim, mãe! Na reunião de pais só tem mães...) escolhe dois livros. Como são 18 alunos na sala, a ciranda se compõe por 36 livros ou algo próximo disso. Então é diversão garantida por várias semanas!

Desta vez, nós fomos premiados com "O urso e o gato-montês" de Kazumi Yumoto da editora Outono. Acredito que a nacionalidade da autora deixa uma marca muito importante. O livro tem outro ritmo, trata de coisa séria de forma séria, mas com leveza e serenidade.
Sempre tinha ouvido falar que os japoneses lidam de forma diferente com a finitude e acho que é verdade, principalmente depois de algumas experiências que tive como enfermeira, e agora lendo essa história que começa de cara com a morte de um passarinho que era muitíssimo amigo do urso e este urso está triste.

Para vocês entenderem melhor, aqui vai um trecho que me deixou embasbacada:

" O urso recordou da sua conversa com o passarinho na manhã do dia anterior (ao da morte do passarinho).
- Sabe passarinho - disse o urso -, você não acha curioso que todas as manhãs sejam "esta manhã"? Foi assim ontem é anteontem. E amanhã teremos outra e novamente depois de amanhã... E todas elas certamente serão "esta manhã". Estaremos sempre "nesta manhã". Sempre, sempre juntos, não é?
Ouvindo isso o passarinho virou de leve o pescoço.
- Tem razão, urso. Mas saiba que eu gosto mais da manhã de hoje do que de ontem ou da de amanhã."

Agora precisa ler o livro para descobrir  como a história termina. Vale à pena!

PS- Fiquei pensando sobre porquê a autora escolheu um gato-montês. Não poderia ser simplesmente um gato?


sábado, 27 de setembro de 2014

Invisibilidade

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.
Platão

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dadaismo: fomento para discussão de boteco

Após visitar uma exposição que tinha como tema nuvens, o meu amigo e eu fomos até um boteco e ele que é conservador ficou puto com as obras expostas e estava ruminando tudo o que viu. Dizia que aquilo não era belo, logo não era arte. Ele achava (deve achar ainda) que só é arte aquela do renascimento e disse que o urinol do Duchamp e as "nuvens" da exposição eram pura viagem.



Eu não concordo com ele. Acho que a arte pode ser vista por outras perspectivas e não apenas a da estética. Acredito que a arte pode ser crítica, política, constrangedora, inquietante, irritante... Qualquer coisa! Além disso, acredito que a maioria delas é válida e cada uma tem sua função.

Sem esquecer disso, estava eu lendo o livro "O Dada e o Surrealismo com 62 ilustrações a côr" de Dawn Ades, e encontrei o seguinte trecho: "as atividades do grupo (dada) de Nova Iorque tiveram o seu ponto alto com a publicação dos números de 391, em 1917, que coincidiram com um gesto espetacular de Duchamp. Convidado para participar do juri de uma mostra na Grand Indépendants de Paris, dava a qualquer pessoa o direito de exibir os seus trabalhos, Duchamp enviou para lá um vaso sanitário de porcelana branca com o pseudônimo de R. Mutt toscamente pintado num dos lados. Quando a peça foi rejeitada, ele pediu demissão do juri, e o incidente foi divulgado nos tablóides The Blind Man e Rongwrong".

Eu não conhecia essa parte da história e achei sensacional! Vejo isso como uma bela crítica à sociedade da época que se dizia "moderninha", mas não estava pronta para aceitar QUALQUER coisa de fato como obra de arte. Acredito até que ele mandou o urinol porque sabia que seria recusado.


As nuvens da exposição e eu

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Erotismo - Francesco Alberoni

" O erotismo é uma forma de interesse por outras pessoas. É generosidade intelectual e emocional, capacidade de dar-se, de dedicar-se, de abandonar- se. O grande erotismo é o oposto da avareza, da mesquinhez, da prudência. (...) Mas o verdadeiro erotismo implica também um envolvimento real de si mesmo, do próprio prazer. É, a um só tempo, altruísmo e egoísmo, síntese dos dois."

domingo, 6 de abril de 2014

Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister - Goethe

"Ele garantia que os homens só saberiam dar valor a um prazer que fosse raro, e que nem as crianças nem os velhos eram capazes de apreciar o que lhes acontece de bom no dia a dia"

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Poema de Rilke para Lou Andreas-Salomé

Tira-me a luz dos olhos: continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te
E embora sem pés caminharei para ti
E já sem boca poderei ainda convocar-te.
Arranca-me os braços: continuarei abraçando-te
Com o meu coração como com a mão 
Arranca-me o coração: ficará o cérebro 
E se o cérebro me incendiares também por fim
Hei-de então levar-te no meu sangue.

Corpo amarrado



Foto minha