Flora foi uma das pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores e, principalmente, das mulheres nos meados do século XIX. Nascida na França do resultado de uma união não "legítima" entre uma francesa e um peruano de família abastada. Também teve um casamento infeliz e três filhos.
Fiquei encantada pela luta de Flora! O tempo todo me vinha a mente como ela deve ter sofrido, como foi corajosa por assumir seus ideais numa época em que mulher era tratada com serva e não tinha opinião, direito ou liberdade.
Como eu não conhecia essa figura pública e sua história, posso dizer que ela surgiu na minha vida em um momento muito oportuno e me fez refletir muito sobre a mulher de hoje: o que somos e o que ainda queremos ser! Para mim ficou um gostinho de luta, de desejo pelo justo, de liberdade! E o mais engraçado é que Llosa escreve de uma forma tão gostosa, rica de detalhes, que parece que eu posso viver a cena junto. Uma loucura, como se Flora tivesse se tornado minha amiga.
Intercalado a essa história, aparece a de Paul Gauguin que era neto de Flora, também nascido na França e que descobre sua paixão pelas artes plásticas depois de adulto e isso provoca uma reviravolta na sua vida, na forma como se relaciona com as pessoas, na maneira como enxerga o mundo, a cultura ocidental...
Enfim, parece que depois que a arte entra na vida dele, ele vive um mundo de emoções. Isso tudo acaba sendo contagiante, estimulante... Dá vontade de viver as aventuras e até as agruras (por que não?) com Paul. A forma como são descritas as cenas que o inspiraram na criação de seus quadros são extasiantes e envolventes!
"À sua frente, a um ou dois metros, o jovem marchava sem vacilar no rumo, mexendo os braços no mesmo compasso. A cada passo, os músculos de seus ombros, de suas costas, das suas pernas se insinuavam e se moviam, com brilhos de suor, sugerindo-lhe a ideia de um guerreiro, de um caçador de tempos idos, penetrando na selva espessa em busca do inimigo cuja cabeça cortaria e levaria no ombro, de volta para casa, a fim de oferecê-la ao seu deus sangrento. O sangue de Koke fervia, tinha os testículos e o falo em ebulição, afogava-se de desejo". Trecho que relata a ida de Jotefa e Koke (apelido de Paul) até à mata que inspirou o artista a retratar Pape moe (águas misteriosas em taitiano).
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| Pape moe |
Já diria a minha avó: santo de casa não faz milagre!

2 comentários:
bacana ler tuas impressões, seu jeito e sua forma de contar é de uma graciosidade que faz a gente sentir a história..
Valew Mr. Abstrato!!!! Saudade nego!
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