quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Almofada de crochê


Eu tinha pedido para a minha avó umas capinhas de crochê para os banquinhos da cozinha. Infelizmente acabou ficando grande, mas acabou se transformando em uma almofada bem macia eu gostosa depois que eu apliquei um tecido atrás do crochê e preenchi com manta acrílica.

Aproveita e dá uma espiada nos banquinhos. Ficou muito bacana. (Observação: a foto era para ser da colcha que eu fiz para o pequeno, mas dá para ver os banquinhos também).

Tamara de Lempicka

Tamara de Lempicka. Maternite, 1928.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A arte de ser feliz. Cecilia Meireles



Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um chalé.
Na porta do chalé brilhava
um grande ovo de louça azul.
Neste ovo costumava pousar
um pombo branco.
Ora, nos dias límpidos,
quando o céu ficava da mesma
cor do ovo de louça,
o pombo parecia pousado no ar.
Eu era criança,
achava essa ilusão maravilhosa e
sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco.
Um barco carregado de flores.
Para onde iam aquelas flores?
Quem as comprava?
Em que jarra… em que sala,
diante de quem brilhavam,
na sua breve experiência?
E que mãos as tinham criado?
E que pessoas iam sorrir de
alegres ao recebê-las?
Eu não era mais criança,
porém minha alma ficava
completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um terreiro,
onde uma vasta mangueira
alargava sua copa redonda.
À sombra da árvore, numa esteira,
passava quase o dia todo sentada
uma mulher, cercada de crianças.
E contava histórias.
Eu não podia ouvir, da altura da janela,
e mesmo que a ouvisse, não entenderia,
porque isso foi muito longe,
num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão
no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo em que na minha janela havia um
pequeno jardim seco.
Era um tempo de estiagem,
de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas
de água sobre as plantas.
Não era uma rega:
era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas,
para o homem, para as gotas de
água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava
completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante
de cada janela, uns dizem que essas
coisas não existem, outros que só
existem diante das minhas janelas
e outros finalmente, que é preciso
aprender a olhar, para poder vê-las assim.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Das coisas imediatas

"Quem prontamente não socorre, parece-me jamais socorrer; quem não dá conselhos imediatos, jamais aconselherá"

Do livro "Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister" de JW von Goethe

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre o que foi, o que é e o que será

"O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."
Clarice Lispector.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Solidão e Sua Porta

Quando mais nada resistir que valha 

a pena de viver e a dor de amar 
e quando nada mais interessar 
(nem o torpor do sono que se espalha), 

quando, pelo desuso da navalha 
a barba livremente caminhar 
e até Deus em silêncio se afastar 
deixando-te sozinho na batalha 

a arquitectar na sombra a despedida 
do mundo que te foi contraditório, 
lembra-te que afinal te resta a vida 

com tudo que é insolvente e provisório 
e de que ainda tens uma saída: 
entrar no acaso e amar o transitório.

Poema de Carlos Pena Filho escrito ao artista Francisco Brennand 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"O urso e o gato-montês"

Agora também leio livros infantis.
Alguns me surpreendem negativamente, outros não fazem diferença e outros me encantam.

Meu filho empresta um livro diferente a cada semana através da ciranda de livros organizada pela escola. Funciona assim: na primeira reunião de pais do ano, a professora libera uma lista com vários títulos e cada mãe (sim, mãe! Na reunião de pais só tem mães...) escolhe dois livros. Como são 18 alunos na sala, a ciranda se compõe por 36 livros ou algo próximo disso. Então é diversão garantida por várias semanas!

Desta vez, nós fomos premiados com "O urso e o gato-montês" de Kazumi Yumoto da editora Outono. Acredito que a nacionalidade da autora deixa uma marca muito importante. O livro tem outro ritmo, trata de coisa séria de forma séria, mas com leveza e serenidade.
Sempre tinha ouvido falar que os japoneses lidam de forma diferente com a finitude e acho que é verdade, principalmente depois de algumas experiências que tive como enfermeira, e agora lendo essa história que começa de cara com a morte de um passarinho que era muitíssimo amigo do urso e este urso está triste.

Para vocês entenderem melhor, aqui vai um trecho que me deixou embasbacada:

" O urso recordou da sua conversa com o passarinho na manhã do dia anterior (ao da morte do passarinho).
- Sabe passarinho - disse o urso -, você não acha curioso que todas as manhãs sejam "esta manhã"? Foi assim ontem é anteontem. E amanhã teremos outra e novamente depois de amanhã... E todas elas certamente serão "esta manhã". Estaremos sempre "nesta manhã". Sempre, sempre juntos, não é?
Ouvindo isso o passarinho virou de leve o pescoço.
- Tem razão, urso. Mas saiba que eu gosto mais da manhã de hoje do que de ontem ou da de amanhã."

Agora precisa ler o livro para descobrir  como a história termina. Vale à pena!

PS- Fiquei pensando sobre porquê a autora escolheu um gato-montês. Não poderia ser simplesmente um gato?


sábado, 27 de setembro de 2014

Invisibilidade

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.
Platão