"O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade."
Clarice Lispector.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
A Solidão e Sua Porta
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),
quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitectar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),
quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitectar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.
Poema de Carlos Pena Filho escrito ao artista Francisco Brennand
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
"O urso e o gato-montês"
Agora também leio livros infantis.
Alguns me surpreendem negativamente, outros não fazem diferença e outros me encantam.
Meu filho empresta um livro diferente a cada semana através da ciranda de livros organizada pela escola. Funciona assim: na primeira reunião de pais do ano, a professora libera uma lista com vários títulos e cada mãe (sim, mãe! Na reunião de pais só tem mães...) escolhe dois livros. Como são 18 alunos na sala, a ciranda se compõe por 36 livros ou algo próximo disso. Então é diversão garantida por várias semanas!
Desta vez, nós fomos premiados com "O urso e o gato-montês" de Kazumi Yumoto da editora Outono. Acredito que a nacionalidade da autora deixa uma marca muito importante. O livro tem outro ritmo, trata de coisa séria de forma séria, mas com leveza e serenidade.
Sempre tinha ouvido falar que os japoneses lidam de forma diferente com a finitude e acho que é verdade, principalmente depois de algumas experiências que tive como enfermeira, e agora lendo essa história que começa de cara com a morte de um passarinho que era muitíssimo amigo do urso e este urso está triste.
Para vocês entenderem melhor, aqui vai um trecho que me deixou embasbacada:
" O urso recordou da sua conversa com o passarinho na manhã do dia anterior (ao da morte do passarinho).
- Sabe passarinho - disse o urso -, você não acha curioso que todas as manhãs sejam "esta manhã"? Foi assim ontem é anteontem. E amanhã teremos outra e novamente depois de amanhã... E todas elas certamente serão "esta manhã". Estaremos sempre "nesta manhã". Sempre, sempre juntos, não é?
Ouvindo isso o passarinho virou de leve o pescoço.
- Tem razão, urso. Mas saiba que eu gosto mais da manhã de hoje do que de ontem ou da de amanhã."
Agora precisa ler o livro para descobrir como a história termina. Vale à pena!
PS- Fiquei pensando sobre porquê a autora escolheu um gato-montês. Não poderia ser simplesmente um gato?
Alguns me surpreendem negativamente, outros não fazem diferença e outros me encantam.
Meu filho empresta um livro diferente a cada semana através da ciranda de livros organizada pela escola. Funciona assim: na primeira reunião de pais do ano, a professora libera uma lista com vários títulos e cada mãe (sim, mãe! Na reunião de pais só tem mães...) escolhe dois livros. Como são 18 alunos na sala, a ciranda se compõe por 36 livros ou algo próximo disso. Então é diversão garantida por várias semanas!
Desta vez, nós fomos premiados com "O urso e o gato-montês" de Kazumi Yumoto da editora Outono. Acredito que a nacionalidade da autora deixa uma marca muito importante. O livro tem outro ritmo, trata de coisa séria de forma séria, mas com leveza e serenidade.
Sempre tinha ouvido falar que os japoneses lidam de forma diferente com a finitude e acho que é verdade, principalmente depois de algumas experiências que tive como enfermeira, e agora lendo essa história que começa de cara com a morte de um passarinho que era muitíssimo amigo do urso e este urso está triste.
Para vocês entenderem melhor, aqui vai um trecho que me deixou embasbacada:
" O urso recordou da sua conversa com o passarinho na manhã do dia anterior (ao da morte do passarinho).
- Sabe passarinho - disse o urso -, você não acha curioso que todas as manhãs sejam "esta manhã"? Foi assim ontem é anteontem. E amanhã teremos outra e novamente depois de amanhã... E todas elas certamente serão "esta manhã". Estaremos sempre "nesta manhã". Sempre, sempre juntos, não é?
Ouvindo isso o passarinho virou de leve o pescoço.
- Tem razão, urso. Mas saiba que eu gosto mais da manhã de hoje do que de ontem ou da de amanhã."
Agora precisa ler o livro para descobrir como a história termina. Vale à pena!
PS- Fiquei pensando sobre porquê a autora escolheu um gato-montês. Não poderia ser simplesmente um gato?
sábado, 27 de setembro de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Dadaismo: fomento para discussão de boteco
Após visitar uma exposição que tinha como tema nuvens, o meu amigo e eu fomos até um boteco e ele que é conservador ficou puto com as obras expostas e estava ruminando tudo o que viu. Dizia que aquilo não era belo, logo não era arte. Ele achava (deve achar ainda) que só é arte aquela do renascimento e disse que o urinol do Duchamp e as "nuvens" da exposição eram pura viagem.
Eu não concordo com ele. Acho que a arte pode ser vista por outras perspectivas e não apenas a da estética. Acredito que a arte pode ser crítica, política, constrangedora, inquietante, irritante... Qualquer coisa! Além disso, acredito que a maioria delas é válida e cada uma tem sua função.
Sem esquecer disso, estava eu lendo o livro "O Dada e o Surrealismo com 62 ilustrações a côr" de Dawn Ades, e encontrei o seguinte trecho: "as atividades do grupo (dada) de Nova Iorque tiveram o seu ponto alto com a publicação dos números de 391, em 1917, que coincidiram com um gesto espetacular de Duchamp. Convidado para participar do juri de uma mostra na Grand Indépendants de Paris, dava a qualquer pessoa o direito de exibir os seus trabalhos, Duchamp enviou para lá um vaso sanitário de porcelana branca com o pseudônimo de R. Mutt toscamente pintado num dos lados. Quando a peça foi rejeitada, ele pediu demissão do juri, e o incidente foi divulgado nos tablóides The Blind Man e Rongwrong".
Eu não conhecia essa parte da história e achei sensacional! Vejo isso como uma bela crítica à sociedade da época que se dizia "moderninha", mas não estava pronta para aceitar QUALQUER coisa de fato como obra de arte. Acredito até que ele mandou o urinol porque sabia que seria recusado.
| As nuvens da exposição e eu |
domingo, 1 de junho de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
O Erotismo - Francesco Alberoni
" O erotismo é uma forma de interesse por outras pessoas. É generosidade intelectual e emocional, capacidade de dar-se, de dedicar-se, de abandonar- se. O grande erotismo é o oposto da avareza, da mesquinhez, da prudência. (...) Mas o verdadeiro erotismo implica também um envolvimento real de si mesmo, do próprio prazer. É, a um só tempo, altruísmo e egoísmo, síntese dos dois."
domingo, 6 de abril de 2014
Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister - Goethe
"Ele garantia que os homens só saberiam dar valor a um prazer que fosse raro, e que nem as crianças nem os velhos eram capazes de apreciar o que lhes acontece de bom no dia a dia"
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