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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Sobre a história de homens e mulheres
"As mulheres são igualitárias até o nascimento do primeiro filho. Daí, elas percebem que sua história não é diferente da de suas mães ou avós. O desafio dos homens - criados para serem autossuficientes - é experimentar a intimidade. E o desafio das mulheres - que são criadas para serem mais relacionadas - é experimentar a sua independência".
Esther Perel.
Esther Perel.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Caros amigos leitores
Infelizmente muita coisa aconteceu nesse tempo... Coisas boas e coisas ruins! Então achei melhor tirar o blog de circulação por um tempo. Fico muito triste por interromper uma coisa que me dava tanta satisfação e registrava muito dos meus pensamentos e desejos. Espero que entendam! Às vezes é preciso parar.
Deixo aqui algo para refletir!
Um grande beijo!
Delírio ou vida na floresta
Eu fui à floresta porque desejava viver de verdade, para encontrar
somente os fatos essenciais da vida, fui ver se não poderia aprender
aquilo que eu tinha que ensinar, e não, quando viesse a morrer,
descobrir que eu não tinha vivido.
Eu não desejava viver aquilo que não era vida, viver é tão raro;
também não desejava praticar resignação, a não ser que fosse
absolutamente necessário.
Eu queria viver profundamente, sugando toda a essência da vida, viver
com a resistência dos Espartanos a experiência de expulsar tudo o que
não era vida, cortando e raspando tudo o que fosse necessário, levando
a vida a um termo, reduzindo-a aos seus significados mais elementares,
e, se encontrado algum significado, então tomar o genuíno e integral
significado disto e publicá-lo para o mundo.
E se tiver sido sublime, ter tido tal experiência, levar tudo o que
senti verdadeiramente em consideração na minha próxima jornada.
(Henry David Thoreau, 1817 - 1862)
Deixo aqui algo para refletir!
Um grande beijo!
Delírio ou vida na floresta
Eu fui à floresta porque desejava viver de verdade, para encontrar
somente os fatos essenciais da vida, fui ver se não poderia aprender
aquilo que eu tinha que ensinar, e não, quando viesse a morrer,
descobrir que eu não tinha vivido.
Eu não desejava viver aquilo que não era vida, viver é tão raro;
também não desejava praticar resignação, a não ser que fosse
absolutamente necessário.
Eu queria viver profundamente, sugando toda a essência da vida, viver
com a resistência dos Espartanos a experiência de expulsar tudo o que
não era vida, cortando e raspando tudo o que fosse necessário, levando
a vida a um termo, reduzindo-a aos seus significados mais elementares,
e, se encontrado algum significado, então tomar o genuíno e integral
significado disto e publicá-lo para o mundo.
E se tiver sido sublime, ter tido tal experiência, levar tudo o que
senti verdadeiramente em consideração na minha próxima jornada.
(Henry David Thoreau, 1817 - 1862)
domingo, 23 de dezembro de 2012
Que 2013 seja o recomeço da viagem!
"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra fez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite (...). É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."
José Saramago (1922-2010)
José Saramago (1922-2010)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Conversa de salão de beleza
Você viu o título da última postagem e pensou: lá vem ela com mais uma historinha fútil de salão de beleza! Você se enganou. Aliás, eu também me enganei e descobri, infelizmente, que o pior machismo é aquele que vem das próprias mulheres...
Essa conclusão aconteceu depois de duas conversas.
A primeira foi na semana passada quando uma conhecida me contava sobre sua viagem de volta para casa, mais especificamente sobre um voo de Curitiba para São Paulo. O drama aconteceu ao embarcar na aeronave quando ela notou que quem iria pilotar era uma mulher. Ela disse que ficou extremamente desesperada e que foi uma das piores viagens da vida dela... "Imagina uma mulher pilotando avião!". E para completar o anencéfalo discurso, também disse que não gosta de ser atendida por médicas! SIM! Mulheres que têm como profissão a medicina. "Nem pensar em ser atendida por médicas!".
Agora eu me pergunto: como pode? Em pleno século XXI, pós Simone de Beauvoir, pós Flora Tristán, como eu ainda ouço uma coisa dessas? Quem vai avisar essa infeliz que ela está se diminuindo, que ela está dizendo que é incapaz? Quem? Quem? Me enche de tristeza esse tipo de comentário, me faz desacreditar, me faz perder a esperança...
A segunda, e não menos pior conversa, aconteceu graças a criativa pauta de assuntos das manicures ao falar sobre o tal ex-goleiro Bruno, que era mulherengo e que só escolhia mulher feia. Eu intervi e disse que a tal Elisa era uma mulher bonita. No entanto, a senhora sentada ao meu lado, que também estava fazendo as unhas, disse: "Mas ela é prosti". Mas e daí minha cara anencéfala? Ela ainda é uma mulher bonita, porra! E ela continuou: "Bonita mesmo é a mãe do filho do Neymar! É linda demais! E essa sim ajeitou a vida pra sempre!". Eu lamentei e disse que achava que a garota tinha pisado na bola, afinal é bastante jovem e a gravidez certamente a privaria de muita coisa. Mesmo assim ela não concordou e disse que era melhor engravidar do jogador do que de um ladrão. Mais uma vez eu discordei, disse que não era bom engravidar de ninguém aos 16 ou 17 anos e que uma mulher não deve usar a maternidade ou o casamento como plataforma de lançamento para a vida, que nós somos capazes e temos recursos, mesmo que difíceis e escassos; mas temos, para alcançar a nossa verdadeira felicidade, sem depender de terceiros. Ainda citei a ilustre Beauvoir (as manicuras arregalaram os olhos!) e todos ficaram me olhando com cara de tacho. Terminamos a conversa e infelizmente tive a nítida impressão que a tal senhora ficaria muito feliz caso a filha dela engravidasse do Neymar.
Tudo isso me lembrou de um pequeno trecho do livro “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir que diz assim: "A mulher aprende que nenhuma conquista lhe é permitida, que deve renegar-se, que seu futuro depende do bel prazer dos homens".
Até quando as mulheres aprenderão isso? Até quando as pessoas vão pensar assim? É muito triste pensar que essas mulheres são mães e que elas continuam passando essas crenças aos seus filhos e filhas...
PS-Gostaria de agradecer ao Rafael C. das Neves pela correção do texto. Valew!
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Serena - Ian McEwan
Depois que Serena acaba a faculdade, ela fica sem saber o que fazer da vida e acaba se envolvendo com um professor bem mais velho que ela, que a ensina a ler criticamente, a perceber as questões políticas e sociais que estao bem embaixo do nariz dela, de uma Inglaterra quase falida da década de 70. E aí começa a história propriamente dita, onde a mocinha acaba se candidatando a uma vaga do serviço secreto inglês, o MI5.
Ela também conta das desventuras da vida de assalariada, tendo que morar numa república, lavar o cabelo na pia (parece engraçado, mas ela repete isso o tempo inteiro e chega a dar pena! Pobre Serena!). Entremeado a isso, o autor lança o tempo inteiro fatos históricos e sociais da Inglaterra e do mundo, além disso, cita um enxurrada de nomes de poetas e escritores (acho que todos são reais!) e menciona ruas e lugares de Londres.
Acho que a leitura fica mais gostosa na segunda metade, quando a história ganha um pouco mais de ação e a torcida por Serena só faz aumentar.
Acho que esse livro pode ser bem interessante para quem escreve, pois além da discussão literária que acontece na história propriamente dita, o desfecho é surpreendente. Eu imaginava que por ser tratar de um escritor moderno (eu acho!), era esperado um final trágico, mas não, é um final feliz às avessas, mas ainda sim feliz. Depois que você descobre o final, você para pensar em tudo que foi escrito e como foi escrito... Provavelmente o autor já tinha a ideia todinha na cabeça antes mesmo de começar a escrever a trama.
PS- Para variar, adorei a foto da capa, mas devo confessar que fico um pouco frustrada quando vou procurar o crédito e me deparo com aqueles nomes de bancos de imagem... Ai! Isso quebra o encanto! Será preconceito da minha parte?
terça-feira, 13 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
É para lá que eu vou!
"Na certa mereceria o céu dos oblíquos onde só entra quem é torto"
Clarice Lispector em Água Viva.
Clarice Lispector em Água Viva.
O paraíso na outra esquina - Mario Vargas Llosa
Semana passada eu terminei de ler "O paraíso na outra esquina" do Vargas Llosa. Gostei muito! Gostei muito de tudo que aprendi, pois antes de ser um romance, é a biografia de Flora Tristàn e de Paul Gauguin.
Flora foi uma das pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores e, principalmente, das mulheres nos meados do século XIX. Nascida na França do resultado de uma união não "legítima" entre uma francesa e um peruano de família abastada. Também teve um casamento infeliz e três filhos.
Fiquei encantada pela luta de Flora! O tempo todo me vinha a mente como ela deve ter sofrido, como foi corajosa por assumir seus ideais numa época em que mulher era tratada com serva e não tinha opinião, direito ou liberdade.
Como eu não conhecia essa figura pública e sua história, posso dizer que ela surgiu na minha vida em um momento muito oportuno e me fez refletir muito sobre a mulher de hoje: o que somos e o que ainda queremos ser! Para mim ficou um gostinho de luta, de desejo pelo justo, de liberdade! E o mais engraçado é que Llosa escreve de uma forma tão gostosa, rica de detalhes, que parece que eu posso viver a cena junto. Uma loucura, como se Flora tivesse se tornado minha amiga.
Intercalado a essa história, aparece a de Paul Gauguin que era neto de Flora, também nascido na França e que descobre sua paixão pelas artes plásticas depois de adulto e isso provoca uma reviravolta na sua vida, na forma como se relaciona com as pessoas, na maneira como enxerga o mundo, a cultura ocidental...
Enfim, parece que depois que a arte entra na vida dele, ele vive um mundo de emoções. Isso tudo acaba sendo contagiante, estimulante... Dá vontade de viver as aventuras e até as agruras (por que não?) com Paul. A forma como são descritas as cenas que o inspiraram na criação de seus quadros são extasiantes e envolventes!
"À sua frente, a um ou dois metros, o jovem marchava sem vacilar no rumo, mexendo os braços no mesmo compasso. A cada passo, os músculos de seus ombros, de suas costas, das suas pernas se insinuavam e se moviam, com brilhos de suor, sugerindo-lhe a ideia de um guerreiro, de um caçador de tempos idos, penetrando na selva espessa em busca do inimigo cuja cabeça cortaria e levaria no ombro, de volta para casa, a fim de oferecê-la ao seu deus sangrento. O sangue de Koke fervia, tinha os testículos e o falo em ebulição, afogava-se de desejo". Trecho que relata a ida de Jotefa e Koke (apelido de Paul) até à mata que inspirou o artista a retratar Pape moe (águas misteriosas em taitiano).
A única contradição dessas vidas que se cruzam, na minha opinião, é que Flora sempre lutou pela igualdade entre homens e mulheres, especialmente dentro das relações matrimoniais, enquanto Paul procurava mesmo uma serva, afinal suas esposas, em particular as do Taiti, tinham que atender suas vontades, eram submetidas a cuidar das feridas de suas pernas causadas pela doença impronunciável (a sífilis) entre outras coisas...
Já diria a minha avó: santo de casa não faz milagre!
Flora foi uma das pioneiras na luta pelos direitos dos trabalhadores e, principalmente, das mulheres nos meados do século XIX. Nascida na França do resultado de uma união não "legítima" entre uma francesa e um peruano de família abastada. Também teve um casamento infeliz e três filhos.
Fiquei encantada pela luta de Flora! O tempo todo me vinha a mente como ela deve ter sofrido, como foi corajosa por assumir seus ideais numa época em que mulher era tratada com serva e não tinha opinião, direito ou liberdade.
Como eu não conhecia essa figura pública e sua história, posso dizer que ela surgiu na minha vida em um momento muito oportuno e me fez refletir muito sobre a mulher de hoje: o que somos e o que ainda queremos ser! Para mim ficou um gostinho de luta, de desejo pelo justo, de liberdade! E o mais engraçado é que Llosa escreve de uma forma tão gostosa, rica de detalhes, que parece que eu posso viver a cena junto. Uma loucura, como se Flora tivesse se tornado minha amiga.
Intercalado a essa história, aparece a de Paul Gauguin que era neto de Flora, também nascido na França e que descobre sua paixão pelas artes plásticas depois de adulto e isso provoca uma reviravolta na sua vida, na forma como se relaciona com as pessoas, na maneira como enxerga o mundo, a cultura ocidental...
Enfim, parece que depois que a arte entra na vida dele, ele vive um mundo de emoções. Isso tudo acaba sendo contagiante, estimulante... Dá vontade de viver as aventuras e até as agruras (por que não?) com Paul. A forma como são descritas as cenas que o inspiraram na criação de seus quadros são extasiantes e envolventes!
"À sua frente, a um ou dois metros, o jovem marchava sem vacilar no rumo, mexendo os braços no mesmo compasso. A cada passo, os músculos de seus ombros, de suas costas, das suas pernas se insinuavam e se moviam, com brilhos de suor, sugerindo-lhe a ideia de um guerreiro, de um caçador de tempos idos, penetrando na selva espessa em busca do inimigo cuja cabeça cortaria e levaria no ombro, de volta para casa, a fim de oferecê-la ao seu deus sangrento. O sangue de Koke fervia, tinha os testículos e o falo em ebulição, afogava-se de desejo". Trecho que relata a ida de Jotefa e Koke (apelido de Paul) até à mata que inspirou o artista a retratar Pape moe (águas misteriosas em taitiano).
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| Pape moe |
Já diria a minha avó: santo de casa não faz milagre!
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